O Intelectual de Rodapé

Comecemos com uma definição: Intelectual de Rodapé é o sujeito que, em vez de realmente ler os livros dos quais fala, tenta nos impressionar com o que decorou no Manual do Blefador. Não confundir com o simples pedante, que é menos nocivo porque pensa que de fato sabe o que está falando. A psiquê do… Continuar lendo O Intelectual de Rodapé

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Mostrar ou não mostrar: eis a questão

To be or not to be: that is the question

Talvez a grandiosidade de certas obras-primas da literatura não esteja naquilo que dizem ou mostram, mas nos detalhes — inúmeros e aparentemente sem importância — que insistem em esconder dos leitores. Kafka nos diz que Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos transformado em inseto, mas em momento algum se preocupa em revelar que sonhos intranquilos… Continuar lendo Mostrar ou não mostrar: eis a questão

Crônica Surrealista

Lobster Telephone 1936 Salvador Dal? 1904-1989 Purchased 1981 http://www.tate.org.uk/art/work/T03257

Só quando fui atender o telefone percebi que estava segurando uma lagosta. Ela disse que um dos meus filhos andava doente e depois me deu um formidável beliscão na orelha. Corri até o quarto de minha mãe, sereia que habita a cauda de um tubarão-martelo, e tentei acalmar o bebê que se esgoelava como um… Continuar lendo Crônica Surrealista

Ai! Se sêsse!…

É mentira que as pessoas não gostam de poesia. O que há, a meu ver, é uma desastrosa confusão a respeito do tema. Para a grande maioria, poemas são extensos conjuntos de versos rimados em “ão”. Escritos por algum tuberculoso que levou um fora da namorada, obrigatoriamente falam de amor e nada mais. Em geral,… Continuar lendo Ai! Se sêsse!…

Machado de Assis era gênio?

Georg Bernard Shaw começa um de seus artigos mais ou menos assim: — Gênios não existem! Sei disso porque sou genial! O paradoxo se encaixa direitinho na tese que pretendo aqui defender: esse negócio de “ser gênio” é uma das maiores furadas de toda a nossa história educacional. Imagine um professor de Redação que entra… Continuar lendo Machado de Assis era gênio?

O Homem-Aranha Japonês

Um homem-aranha bem mais violento do que seria aceito no Ocidente

Quando eu tinha 12 ou 13 anos, uma coisa inédita aconteceu na cidade onde morava. Graças à instalação de uma nova antena receptora, a extinta TV Manchete começou a “pegar” na região. Lembro que no canal passavam umas novelas muito ruins, mas o que interessava mesmo, pelo menos para o pessoal da minha idade, era… Continuar lendo O Homem-Aranha Japonês

A Culpa é do Mordomo

Durante algum tempo, desejei escrever um romance policial em que o mordomo fosse o culpado. Certamente pelo medo de não estar à altura de tema tão original, sei que jamais darei cabo do projeto. Mesmo assim, de vez em quando me surpreendo a pensar em como formularia o caráter e as motivações do meu criminoso,… Continuar lendo A Culpa é do Mordomo

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As misteriosas origens da boneca Barbie

Ruth Handler tinha razões bastante práticas para prestar atenção nas brincadeiras de Bárbara e Kenneth. Além de mãe, era uma importante executiva da Mattel, fabricante de brinquedos que criara ao lado do marido e que começava a se destacar no mercado. Enquanto os brinquedos do menino diziam subliminarmente que ele poderia ser o que quisesse… Continuar lendo As misteriosas origens da boneca Barbie

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A longevidade da pulp fiction

Capa revistas pulp (fonte: divulgação).

— Que porcaria é esta? — perguntou ele. — O Chefe Apache! É isto que você lê ao invés de estudar história romana? Que eu não encontre mais esta maldita droga no colégio. O indivíduo que escreveu isto, suponho, é um desses pobres-diabos que escrevem para ter com que pagar sua bebida. Surpreende-me que um… Continuar lendo A longevidade da pulp fiction

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